Fala-se com frequência, generalizando, que o brasileiro não tem hábito de leitura. Num lance de exagero, há quem afirme que fugimos do contato com um texto, sobretudo quando se trata de mensagem composta por mais de 200 caracteres.
Parece-me que esse não é o retrato fiel da nossa realidade. Andando todos os dias de metrô, em São Paulo, o que vejo são pessoas com livro, jornal ou revista diante dos olhos. Algumas, sentadas; outras tantas, em pé, equilibram a atenção para que nenhuma palavra, informação ou emoção se perca. Um fato que relativiza o estereótipo segundo o qual temos uma preguiça literária incorrigível.
A viagem de metrô me faz lembrar a experiência que tive na última sexta-feira. No final do expediente, entrei na Livraria Cultura, aquele templo dedicado às letras, encravado no Conjunto Nacional. Lotação esgotada. Atendentes correndo de um lado para outro, em busca de publicações de todos os gêneros para todos os tipos de público. “Hoje está calmo, você não imagina como fica no sábado”, disse-me uma vendedora, tão simpática quanto profissional, se é que uma qualidade pode andar separada outra – na Cultura, não pode.
As pessoas estão descobrindo, ou redescobrindo, o prazer da leitura. Quanto ao mercado editorial e livreiro, ele é cada vez mais generoso, tanto na quantidade quanto na qualidade do que oferece. Estão certos. Afinal, nossos leitores merecem o melhor.
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Oi Rubens, é muito bom saber que existem pessoas observadoras como você. Mesmo que seja um olhar técnico, insentivado pelo amor a profissão.
Concordo quando menciona sobre o estereótipo do hábito de ler. Gostaria de acrescentar, se me permite, um pouco da minha experiência. Nas minhas andanças pelo metro, ônibus, salas de espera, observo sim pessoas concentradas na leitura, mas também “perdidas¨na viagem que a mesma muitas vezes proporciona. Enfatizo ainda uma congruência da informação, sonho, ilusão e por que não o desejo de mudanças, quem sabe, vislumbradas na ficção. O caminho norteia mais interrogações que oportunidades.
Obrigada pela clareza no seu trato com a escrita.
Você é um desvio de regra. Uma prova de que alguém inteligente pode sim ser sensível a observação.
Abraço.
Oi Rubens, muito boa a matéria e interessante, porque esse olhar de parar e observar as pessoas pelos metrôs, ônibus, eu já havia feito e achei muito interessante. Parece ser o caminho que as pessoas escolheram para fugir do desconforto das horas em que passam dentro de uma condução antes de começar mais um dia de muito trabalho. Acho uma maneira sadia e muito prazerosa.
Como educadora, tenho mais um comentário, a leitura ajuda as crianças em todas as fases que ela passa e é fato que as crianças conseguem uma atenção muito maior um desempenho extraordinário na parte de compreensão e criação em qualquer gênero literário. Em 23 anos de magistério consigo discernir essa verdade.
Oi, Slla, obrigado pelo seu comentrio, muito gentil. Ao mesmo tempo em que o assunto preocupa, a imagem de vrias pessoas lendo, no metr lotado, geralmente sem nenhuma acomodao adequada para isso, me deixa contente. s vezes sinto vontade de conversar com essas pessoas, saber mais sobre elas. Mas fico na minha, porque isso seria invaso de privacidade – minha me me ensinou que isso uma coisa muito feia, no pega bem; ou ser que li isso em algum livro?
Obrigado de novo. Rubens
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