04.08.11 – É triste perceber como, sobretudo depois de certa idade, nos adequamos com mais facilidade a tudo o que recebemos no convívio com a escola, a Igreja e com outras renomadas instituições dedicadas à nossa [às vezes] boa de-formação. Por causa dessa submissão, quase tudo diante dos nossos olhos se torna pecaminosamente imoral; quase tudo passa a significar uma demonstração vulgar de falta de pudor, coisa dessa juventude que está perdida, sem conserto, incapaz de perceber a dura realidade da vida. [A vida tem de ser, obrigatoriamente, uma dura realidade, nunca uma fonte de prazer].
Claro que sabemos que o clima no planeta está pesado. Denso e feio. Mas nos recusamos aceitar a ideia de que um beijo, e não uma agressão, tem um poder incrivelmente grande de limpar e desinfetar esse ar, poluído por brigas e demonstrações de força entre pessoas físicas e jurídicas [não raro, a começar pelas quatro paredes da casa em que vivemos].
Um exemplo disso? O casal jovem que se permite a diversão. A brincadeira. O riso. A travessura, que por vezes esconde uma surpresa gostosa. Existe a rotina? Tudo bem, eles brincam dentro e apesar da rotina. A falta de dinheiro pesa? Sem dar importância absoluta a isso, substituem o suco natural pelo refrigerante de segunda linha e se divertem com o fato. O bife queimou? “Simbora pra padaria tomar um lanche”, e lá se vão os dois, rindo e se divertindo com o incidente como se tivessem acabado de receber um grande prêmio. Isso é ser feliz. Feliz com o que se tem. Nem sempre por causa, mas às vezes apesar de. E ser feliz é absurdamente simples. Quando se quer. De verdade.
Outro exemplo. Certos de que estão respeitando os pais, que moram juntos, e os filhos, que não têm de ser expostos a essa pouca-vergonha praticada por dois adultos sérios, marido e mulher tendem a fazer tudo para poupá-los de cenas compostas por abraços, beijos, declarações de amor e outras coisas igualmente deliciosas. Claro, estes últimos, às vezes em fase de formação, poderiam aprender cedo essas coisas, gostar e, o pior, querer repetir em seus relacionamentos no futuro. No entanto, uma boa briga entre os dois, na frente das crianças, isso pode – acreditam. É saudável. Acima de tudo, um duelo, com seu poder o poder de destruir o outro, é nada mais que uma demonstração, bélica e educativa, de que alguém ali “não tem sangue de barata”. A mensagem que se esconde por trás da pancadaria verbal, dirigida à platéia, é “Veja como eu resolvo as coisas e tenha cuidado, a próxima vítima pode ser você”.
Ora, se é verdade que quem bate para ensinar está ensinando a bater, também é certo que quem aborta o beijo, que deseduca, mas permite a briga, que fere, está ensinando a…
Mesmo assim, segue-se em frente. Sérios e graves. No mais das vezes, casados. Gentileza? Elegância? Demonstração de afeto? Um pouco de poesia e humor? Não. Porque está decretado: tudo isso é frescura, coisa dessa juventude perdida, ou de gente imatura, que não tem os pés no chão. Como se não nos fosse permitido passear no espaço que há entre a terra e o céu, enquanto o Paraíso não vem.



Pensando na mulher ideal: ela olha pra mim e eu pra ela. Ela me descobre e eu a descubro. Por isso conversamos tanto. Falamos de nós, acima de tudo. O sofá? O apartamento? Os móveis? Tudo isso fica em terceiro plano, porque no nosso casamento nós estamos em primeiro, primeiríssimo plano. Por isso não olhamos tanto para os lados, olhamos bem pouco, aliás. Olhamos um para o outro. Falamos. Nos divertimos. Namoramos. Brincamos. Aprontamos um com o outro. Rimos de nós mesmos. Falamos das nossas coisas sérias – das nossas. Na primeira oportunidade vamos ao cinema ou a qualquer outro lugar onde se possa ver, ouvir e sentir coisas gostosas. Na primeira oportunidade vamos tomar um refrigerante em algum lugar, porque não importa o lugar, estando juntos, todo lugar é gostoso, é chique, é badalado. Trocamos carícias. Não somos certinhos, apenas não violamos regras sociais, que é de mau gosto. Vamos para a cama e deixamos os escrúpulos, a rotina, o dia-a-dia tudo do lado de fora, xô! Nos entregamos. Os problemas, pessoais e familiares existem? Claro que sim, ninguém sabe mais disso do que nós. Mas não somos marido e mulher para ficarmos acorrentados aos problemas, à rotina, ao dia-a-dia. Somos marido e mulher para nos libertar disso. Juntos. Sem paternalismos. O tempo é nosso. O espaço é nosso. Queremos ficar juntos, um completando o outro, não duas solidões sobrepostas. Minha mulher lê o que está escrito nos meus olhos e eu nos delas. Nosso amor é tão sublime, mas tão sublime que chega a se manifestar desse jeito. Como diz o teólgo Leonardo Boff, “Humano assim, só mesmo sendo divino, e divino assim, só mesmo sendo humano.” Nosso amor é tão humano que chega a ser divino. E de tão divino ficou cada vez mais humano. Minha mulher é assim. a mulher é assim: ela olha pra mim e eu pra ela. Ela me descobre e eu a descubro. Por isso conversamos tanto. Falamos de nós, acima de tudo. O sofá? O apartamento? Os móveis? Tudo isso fica em terceiro plano, porque no nosso casamento nós estamos em primeiro, primeiríssimo plano. Por isso não olhamos tanto para os lados, olhamos bem pouco, aliás. Olhamos um para o outro. Falamos. Nos divertimos. Namoramos. Brincamos. Aprontamos um com o outro. Rimos de nós mesmos. Falamos das nossas coisas sérias – das nossas. Na primeira oportunidade vamos ao cinema ou a qualquer outro lugar onde se possa ver, ouvir e sentir coisas gostosas. Na primeira oportunidade vamos tomar um refrigerante em algum lugar, porque não importa o lugar, estando juntos, todo lugar é gostoso, é chique, é badalado. Trocamos carícias. Não somos certinhos, apenas não violamos regras sociais, que é de mau gosto. Vamos para a cama e deixamos os escrúpulos, a rotina, o dia-a-dia tudo do lado de fora, xô! Nos entregamos. Os problemas, pessoais e familiares existem? Claro que sim, ninguém sabe mais disso do que nós. Mas não somos marido e mulher para ficarmos acorrentados aos problemas, à rotina, ao dia-a-dia. Somos marido e mulher para nos libertar disso. Juntos. Sem paternalismos. O tempo é nosso. O espaço é nosso. Queremos ficar juntos, um completando o outro, não duas solidões sobrepostas. Minha mulher lê o que está escrito nos meus olhos e eu nos delas. Nosso amor é tão sublime, mas tão sublime que chega a se manifestar desse jeito. Como diz o teólgo Leonardo Boff, “Humano assim, só mesmo sendo divino, e divino assim, só mesmo sendo humano.” Nosso amor é tão humano que chega a ser divino. E de tão divino ficou cada vez mais humano.